Fernando Pessoa
(13 de junio de 1888, Lisboa-30 de noviembre de 1935, Lisboa)

Poema que Fernando Pessoa publicó con el heterónimo Alvaro de Campos (Ángela, 8-7-2016)
Todas as cartas de amor…
Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.
Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.
As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.
Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.
Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.
A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.
(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)
Todas las cartas de amor son ridículas…
Todas las cartas de amor son
ridículas.
No serían cartas de amor si no fuesen
ridículas. …
